Como a Dell adaptou o RH para ser mais inclusivo

A política de diversidade na Dell se intensificou após acompanhar a decisão de uma funcionária de fazer uma transição de gênero. A empresa se empoderou do tema para levar conhecimento aos seus colaboradores e ao público externo. Willian Pinheiro, coordenador de RH da companhia, relata que o orgulho de se trabalhar na organização aumentou “até os fornecedores se engajaram com o tema”, conta.

Michelle Soares, analista administrativa da instituição, foi a primeira funcionária a realizar a transição na Dell. A colaboradora, após cinco anos trabalhando na instituição, resolveu procurar o Pride – grupo de diversidade da Dell – e o RH para falar sobre sua escolha.

O comunicado aconteceu em junho de 2016 e logo em setembro, quando Michelle saiu de férias, realizou a cirurgia para transição. Ao voltar das férias, foi recebida com o crachá, e-mail e folha de pagamentos atualizados com o seu nome. Para que isso fosse possível, a empresa criou um conselho para mapear as estratégias passo a passo para serem concluídas e fornecer todo apoio à funcionária.

O primeiro passo foi procurar empresas para fazer benchmark. A Dell buscou adaptar todas as informações, como um manual desenvolvido pela matriz nos EUA, que abordava as políticas de afastamento e procedimentos médicos. Os brasileiros traduziram e “tropicalizaram” alguns tópicos, como cobertura de serviços, utilização de nome social no crachá, cartão corporativo e acesso. O manual foi amplamente divulgado para os funcionários.

A comunicação interna teve papel fundamental, pois procurou formas de trabalhar o tema com os funcionários, explicando dúvidas e curiosidade sobre o tema. “Para nós foi um aprendizado muito grande, conseguimos ver oportunidades de negócios que ainda não faziam parte da empresa”, explica Willian.

Na parte legal, a Dell buscou contato com a OAB para se certificar de que todas as mudanças eram legais e válidas. Michelle teve o nome alterado na folha de pagamento, na carteirinha de plano de saúde e em todos os documentos profissionais.

Capacitação

A Dell convidou um especialista em diversidade para conversar com toda a liderança. O especialista abordou os processos da transição de gênero, esclarecimentos de dúvidas e como os líderes deveriam levar o tema para os seus funcionários.

O RH, por ter contato com todas as áreas, recebeu um reforço sobre o tema para que pudessem estar preparados e de portas abertas para receber dúvidas e explicar a transição.

O Pride desenvolveu ações para tratar de maneira educativa o tema. O grupo é dividido em pilares, sendo eles: educação interna, ações sociais e comunicação. Foram criados cartazes explicando o que é gênero e sexualidade; realizaram sessões de vídeos com documentários sobre o público transexual e levaram transexuais para discutir com os colaboradores sobre os desafios que enfrentam, explicou Marcelo Oliveira, líder do Pride.

Todas as ações só foram possíveis porque a cultura da Dell é sólida e existe um código de conduta da empresa. Caso um funcionário descumpra, o RH é acionado e toma decisões cabíveis com os valores da instituição. Porém, segundo Willian, o preconceito é sempre combatido primeiramente com informação, “o que a gente mais vê é a falta de informação e não o preconceito em si”, conclui.

Leave a comment:


%d blogueiros gostam disto: