Especialistas alertam empresas para necessidade de gerenciar seus custos com saúde

Michel Daud e Fernando Akio compartilham dicas para que companhias consigam driblar os problemas com planos de saúde

Gastos exorbitantes, programas sem mensuração e absenteísmo cada vez maior. São esses os principais desafios que as empresas enfrentam na área da saúde, conforme pesquisa realizada com cerca de 50 executivos de diferentes companhias durante o congresso Corporate Health, em junho. Michel Daud, associado Instituidor da ASAP e Fernando Akio, gerente na P&G, sob mediação de Edna Vasselo, diretora comercial da ABRH-SP, comentam os resultados e possíveis soluções para esses problemas. Confira:

A maioria das empresas gasta mais de R$ 1 milhão com ações na área da saúde. Se for uma empresa pequena o gasto pode ser visto como exorbitante, porém, para companhias de grande porte é um custo médio. Fatores como região e quantidade de funcionários devem ser levados em consideração.

Para o médico do trabalho, Michel Daud, é importante que as empresas vejam e analisem se os gastos trazem retorno para os negócios. Essa estratégia proporciona à organização uma visão melhor sobre o budget.

Dica: Dessa forma, entender esses custos e passá-los aos funcionários é importante para, assim, desenvolver estratégias e ver qual melhor método pode ser aplicado conforme o seu modelo de negócio.

De acordo com os resultados da pesquisa, a maioria das empresas não vê o engajamento como um diferencial estratégico. Porém, especialistas pensam o contrário. Para Akio, a sustentabilidade é um grande problema, pois se não for visto como um diferencial sempre será um custo e não um investimento.

Para ele, ainda, algumas empresas sentem dificuldades em realizar ações que possam gerar boa qualidade de vida por ter diversas filiais e apenas um médico do trabalho, mas que fica na matriz. Entretanto, esse problema, para os especialistas, é de uma má gestão. Como solução, é necessário que o médico do trabalho se organize e monitore a saúde de todos os colaboradores, pode ser por meio dos próprios indicadores.

Dica: Um dos desafios de para que a alta liderança tenha engajamento na questão saúde é entendê-la como parte do negócio. Para isso, é necessário ter uma cultura de saúde acolhedora, ferramentas de autocuidado, médicos com acesso aos indicadores de bem-estar dos funcionários e mensurar todos os resultados das atividades para comprovar sua eficácia.

Para Akio, com esses diversos benefícios utilizados pelos colaboradores é papel da empresa utilizá-los da melhor maneira. Com as informações nas mãos, os médicos devem fazer com que esses programas disponibilizados pela companhia sejam tabulados para gerar engajamento.

Dica: Tenha sempre informações mensuradas sobre os planos de saúde de sua empresa. Essas informações facilitam o médico de trabalho a acompanhar a saúde dos colaboradores e a ter um controle do tratamento realizado por cada um.

Sendo a maioria das empresas adeptas ao plano de saúde com desconto na folha de pagamento, o papel do médico do trabalho é, justamente, controlar o uso devido desse recurso, conforme comentado por Daud. Por isso, o profissional deve participar de reuniões, ter acesso às informações relacionadas a esse plano e saber como os colaboradores estão utilizando o benefício.

Dica: Para evitar o uso excessivo do plano de saúde, uma das ações que a instituição deve realizar é colocar ambulatórios na empresa para verificar os motivos pelos quais os colaboradores utilizam. Essa estratégia também pode evitar que os funcionários usem o plano por problemas que podem ser resolvidos dentro desse ambulatório, como uma dor de cabeça.

Uma das principais causas para o afastamento dos colaboradores é referente a problemas na coluna vertebral, segundo pesquisa feita por Michel Daud. A ortopedia é a mais usada entre os funcionários. Portanto, é importante que a empresa verifique em suas atividades quais delas podem gerar esse tipo de problema para os colaboradores e trabalhar na prevenção.

Dica: Mantenha sempre um contato ativo com os colaboradores que estão afastados. Esse comportamento faz com que o mesmo se sinta melhor para voltar a trabalhar. É necessário mostrar que as pessoas que estão inativas são importantes para a empresa. Para isso, é fundamental que a companhia implante um programa específico para ter acesso aos que estão afastados.

Um dos desafios para ações da saúde é equilibrar os gastos. Embora mais da metade dos entrevistados diz estar com os custos per capita sustentáveis, os gastos são crescentes. A empresa deve controlar os valores utilizados nos planos e fazer com que isso se reverta em investimento. Afinal, o plano de saúde deve estar alinhado com os negócios da companhia.

Dica: Para diminuir o custo com a saúde em sua empresa invista em monitorar como estão utilizando o convênio médico. Em casos de aumento, é possível comparar os gastos com o ano anterior para analisar o principal problema. Um monitoramento especial proporciona à empresa uma visão mais clara de como deve agir.

O resultado da pesquisa reflete os vários problemas de saúde que a empresa tem que enfrentar. Sem uma mensuração adequada da saúde dos colaboradores, a organização fica sem saber o que fazer com a informação que tem em mãos.

Dica: Tenha em mente um planejamento de ações que podem facilitar a utilização dessas informações. Tenha indicadores estabelecidos e mensure esses resultados periodicamente.

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