Gestão da diversidade corporativa: as lições dos jogos olímpicos Rio 2016

Conheça o planejamento estratégico por trás da formação da equipe mais diversa da história das Olimpíadas e Paralimpíadas

Com a finalidade de formar uma equipe para as Paralimpíadas e Olimpíadas mais integradoras da história, a empresa privada Comitê Rio 2016 apostou em uma área de Diversidade e Inclusão. A companhia capacitou todos os profissionais – CLT, terceirizados e voluntários de todos os setores dos Jogos Rio 2016 -, para receber bem e respeitar as diferenças. Tudo isso, enquanto providenciava toda a estrutura necessária para 48 eventos testes, 23 campeonatos para a modalidade paralímpica e 42 campeonatos dos jogos olímpicos. No final, o Comitê conseguiu cumprir todas as cotas propostas. Foi realizado a contratação de 35% de negros, 55% de mulheres e 5% de deficientes.

Responsável por desenvolver e coordenar as estratégias dessa gestão da diversidade corporativa, Alberto Pinto, especialista de diversidade e inclusão nos Jogos Rio 2016, explicou que foram quase três anos estruturando o programa. “Foi gratificante construir um programa que foi visto pelo mundo e depois ver como foi colocado em prática”, relata. O primeiro passo para que a estratégia fosse colocada em prática foi ouvir representantes da comunidade LGBT, negros, deficientes e mulheres. Para compor esse conhecimento foram entrevistadas pessoas da própria organização do evento que passaram pela experiência em outros jogos, além da participação em movimentos sociais.

A área de Gestão da Diversidade contou com três profissionais que ficaram responsáveis por disseminar o posicionamento da organização e apoiar o engajamento dos profissionais na causa. Por isso, a fase seguinte foi treinar os líderes (contratados e voluntários) de forma presencial e virtual. As aulas usavam situações hipotéticas e exigiam que os participantes encontrassem soluções.

Além disso, todo mês o Comitê procurava falar sobre o tema para que isso se tornasse algo natural e não perdesse o assunto de vista. Para trabalhar o tema, foi necessário contextualizá-lo para que todos enxergassem o que era padrão dominante e como tirá-lo da mente na hora da contratação. Esse estudo foi acompanhado diariamente no momento de recrutamento e seleção de candidatos. 

As empresas terceirizadas tinham que se comprometer com as mesmas políticas do Comitê, sendo garantido por contrato. Para levar à prática, as empresas faziam parte do treinamento e de um Fórum criado para indicar as estratégias de contratação diversificada, pois só assim seria possível alcançar as cotas previstas. Após isso, foi realizado um evento com todos os funcionários para explicar sobre o racismo. Na ocasião, o grupo contou com representantes dos movimentos para contar suas experiências.

Uma das preocupações do Comitê era trabalhar de forma que não houvesse separação entre Olimpíada e a Paralimpíada. “Nós focamos nos dois jogos e, com isso, conseguimos elaborar um cenário de igualdade, um exemplo disso foi a abertura das Olimpíadas, tinham pessoas com deficiência e isso nunca havia acontecido”, conta Alberto.

Essa reformulação proporcionou o reconhecimento de ser um dos Jogos mais inclusivos da história, o Comitê, ainda, contou com pessoas mais engajadas, uma voz ativa dos negros, LGBT, mulheres e deficientes. Dessa maneira, foi construída uma relação paralela entre a área de Diversidade e Inclusão e os outros setores. “Foi um trabalho em equipe, um dependia do outro e a gente estava sempre auxiliando”, conclui o especialista.

“Nós focamos nos dois jogos e, com isso, conseguimos elaborar um cenário de igualdade”

Alberto Pinto palestrante no Congresso de Diversidade e Inclusão Corporativa (CDIC)

Foto por Aline Fernandes

Conheça as ações desenvolvidas 

Causa LGBT: O Comitê assinou o Guia dos 10 compromissos LGBT.  Com isso, viram o que precisam trabalhar mais e começaram a mapear a inclusão corporativa desse grupo. 

Grupo de diálogo: Foi uma das primeiras ações. A estratégia era engajar todos. Nisso, criou-se um grupo de Gênero para que participassem, também, os homens para que fosse entendido o privilégio que eles mantinham na sociedade. 

Atleta PCD: Nesse programa, foi trabalhada a questão da deficiência a partir da situação de um esportista paralímpico. “Eles começam tarde no esporte e a vida de atleta é curta e, no final, eles não sabem como se recolocar no mercado de trabalho”, contextualiza Alberto. Dessa maneira, os atletas treinavam durante quatro horas e ainda tinham que estudar algum curso do próprio interesse.

Inclusão de pessoas com deficiência intelectual: Foi realizado esse programa para incluir pessoas com deficiência intelectual. Nisso, essas pessoas estavam trabalhando em todas as áreas do Comitê; desde o jurídico à administração. O acompanhamento foi realizado por um psicólogo. 

Programa de estágio: Nesse programa, além de trabalharem com a inclusão de jovens, o grupo ficou responsável por contratar, também, um número maior de negros. Para atrai-los, foi necessário trabalhar a imagem do Comitê. Uma das ações para isso foi colocar um banner com a imagem de um negro para que esse grupo se sentisse representado.


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