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“Negociado terá mais força do que legislado e deve onerar mais do profissional de relações trabalhistas”, afirma gerente de pessoas e serviços da Eldorado Brasil

Alberto Pius foi palestrante da terceira edição do Fórum Corporativo de Relações Trabalhistas e Sindicais que ocorreu nos dias 16 e 17 de agosto em São Paulo

Com a reforma trabalhista aprovada pelo Senado, a expectativa é de que em breve as relações de trabalho devem mudar. A maioria das empresas hoje tem estudado a nova lei e se preparado para os impactos que essa mudança deve trazer.  A possibilidade de flexibilização dos serviços e também a aprovação de validade do negociado sobre o lesgilado vai aumentar e tornar mais complexo o trabalho do gestor de relações trabalhistas. Confira a entrevista com Alberto Rodolfo Pius, gerente de pessoas e serviços da Eldorado Brasil e palestrante da terceira edição do Fórum Corporativo de Relações Trabalhistas e Sindicais sobre o tema:

HR Academy: Em qual nível de preparação está a Eldorado para as mudanças que a reforma trabalhista deve trazer?

Alberto Rodolfo Pius: Estamos analisando essas propostas até porque nós temos um trabalho diferenciado de indústria e florestal, então, os impactos disso podem atingir muito mais a atividade industrial do que florestal, no sentido de que os sindicatos são mais agressivos nessas condições. Teremos que ter um trabalho bem diferenciado hoje para atender as necessidades das empresas e a abertura que a legislação dará para os profissionais trabalharem fora da área de trabalho. O profissional de relações trabalhistas terá que negociar isso tanto com funcionário quanto com o sindicato, porque todo esse tipo de trabalho será uma nova carga para que os processos sejam bem desenhados e possam ser inclusos nas convenções coletivas e acordos. Na área industrial, hoje, não temos essa abertura de flexibilidade, isso é uma novidade.

HR Academy: O gestor de relações trabalhistas tem ligação direta com a empresa e com o sindicato e atua mediando conflitos. Essas novas propostas das reformas podem tornar mais difícil essa relação com os sindicatos. Como o gestor deve se preparar?

Alberto Pius: O profissional vai precisar melhorar seu processo de negociação tanto dentro da empresa quanto para o sindicato. As empresas estarão olhando muito o custo dessas ações, isso pode pesar na folha de pagamento, porém, esse profissional tem que ter um trânsito muito tranquilo dentro da negociação e conhecer bem o negócio da empresa para passar esse conhecimento ao sindicato e ter esse poder maior de negociação a frente dos acordos. Isso faz com que ele tenha um papel diferenciado do que já tinha até agora. Se ele é um advogado, ele vai ter que conhecer bem as áreas de trabalho da empresa para discutir com mais propriedade com os sindicatos. E, por outro lado, os sindicatos também vão se aperfeiçoar nesse sentido para manter os sindicalizados.

HR Academy: Quais os pontos que mais impactam a sua área na reforma apresentada?

Alberto Pius: Fala-se muito de flexibilidade, mas esse não é um ponto focal para nós porque trabalhamos com postos de trabalho. Vejo isso em outras áreas, como consultoria, escritórios de advocacia, onde esse sistema pode ser um trabalho já bem melhorado, já se faz isso, basicamente. Na indústria de base que a gente fala é posto de trabalho, dificilmente a gente vai flexibilizar horário para alguém trabalhar em casa. Agora o que vai flexibilizar e alterar as relações para nós são as novas regras que podem ser boas para o empregado e para a empresa, aqui o acordo vai ter força de lei. O negociado vai ter mais força do que o que está na legislação, isso que impactará muito nas negociações e vai onerar mais do profissional de relações trabalhistas.

O que vejo é que a contratação com terceiros, o cumprimento das obrigações acessórias serve para que quem contrata tenha também do terceiro uma harmonia uma sinergia de trabalho, porque vai obrigar os terceiros a serem muito mais profissionais no sentido de ter toda a sua documentação organizada, em dia, para que não ocorra problemas com os contratos”.

HR Academy: No case em que você apresentará na terceira edição do Fórum Corporativo de Relações Trabalhistas e Sindicais, será discutido um caso em que transformar terceirizados em contratados foi mais vantajoso para a empresa do que o contrário. Pode contar um pouco como isso foi realizado e quais os desafios dessa realização?

Alberto Pius: A primarização de serviços nos trouxe excelentes resultados. Há 4 anos, com esse modelo de trabalho dentro da empresa e em termos de resultados para as pessoas, foi uma valorização em relação ao que ela tinha de benefícios como terceira e hoje todos que eram terceiros têm os mesmos benefícios que nossos funcionários: previdência privada, plano de saúde, PPR. Mesmo com todos esses custos, a gente tem resultados excelentes quando comparado com o trabalho de terceiro. Na limpeza predial, por exemplo, a produtividade das pessoas é maior em 26% do que dos terceiros. Além dos custos, as pessoas se sentem muito mais parte da empresa, veem o resultado do seu trabalho e veem o significado do mesmo. Percebem a importância no contexto organizacional – em uma gestão de contrato de terceiro não perceberíamos. O que demanda muito nesse processo é uma mudança no perfil da liderança. É a presença do líder na frente de serviço, o acompanhamento das operações com mais intensidade, qualidade do serviço, pesquisa de satisfação dos usuários, entre outros. Hoje nós temos 93% de satisfação dos usuários em relação aos serviços que foram primarizados, além de redução do turn over e absenteísmo.

HR Academy: E como vocês praticam a terceirização?

Alberto Pius: Nós temos alguns serviços terceirizados que são muito especializados que nós concluímos que não temos a competência necessária para realizar. O que vejo é que a contratação com terceiros, o cumprimento das obrigações acessórias serve para que quem contrata tenha também do terceiro uma harmonia uma sinergia de trabalho, porque vai obrigar os terceiros a serem muito mais profissionais no sentido de ter toda a sua documentação organizada, em dia, para que não ocorra problemas com os contratos. O tema de primarização é muito instigante porque quem viveu com primarização e terceirização percebe que a primeira muda o comportamento das pessoas porque elas começam a praticar os mesmos valores e missão da empresa. Isso faz com que a cultura seja mais assentada no seu processo de crescimento. A gente vê mais comprometimento e engajamento das pessoas aos processos que a empresa executa.


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